sábado, 23 de março de 2013

Psicologia do Desenvolvimento (sexualidade infantil)



Nota de Aula:
Sexualidade infantil




Fase Oral:
 “A boca enorme engole
E suga
E chupa até a raiz
Sente na garganta
Respira fundo
Língua aflita
Lambe.” (FARIA,1990)


Fase Anal:

   
“Pior que parar em porta de puteiro
É parar em cima de um bueiro
Eu não sei por que parei
Foi começando assim que eu me ferrei.”
(Keyla Boaventura e Kênya Boaventura)


“Eu não sabia seque que cidade era
aquela.[…]
E logo eu também estava
perdido.
Caminhei a esmo, era a
manhã de uma quarta-feira e eu podia
ver o oceano ao sul.[…]
A merda estava preste a escorrer
para fora de mim.
Segui em direção ao
mar.”
(Charles Bukowski)






Fase Genital:
“É o mesmo que antes
Ou que da outra vez
Ou da vez anterior a essa.
Eis um pau
E eis uma boceta
E eis um problema.
A cada vez
Você pensa
Bem eu aprendi desta vez.”
(Charles Bukowski)

Sexualidade humana é perversa polimofica.

Sexual é diferente de erótico.
Erótico que é o mesmo que genital.
Logo sexualidade é o mesmo que desejo, linguagem e libido.

Descobertas de Freud:
  • A vida sexual existe na infância.
  • Sexual é diferente de genital.
  • Vida sexual é diferente de reprodução
  • Todo o corpo é sexualizado.
  • Amnésia infantil.
OBS: Para o Ser biológico passar a Ser Social é preciso o banho de linguagem, que venha recair sobre o sujeito a pulsão sexual, o desejo.

Zonas Erógenas:
  • 1º Oral : Boca - Sugar.
Peito - Mamadeira ( Objetos de amor)
  • 2º Anal:
Merda ( Objeto de amor)
  • 3º Falica:
Descoberta do genital.
Aqui ocorrem os complexos de Édipo e castração.
Falo é diferente de pênis.
Acontece a angustia da castração, ou seja, da perda.


Referência Bibliográfica:
BUKOWSKI, Charles. O amor é um cão dos diabos. Porto Alegre: L&PM, 2007.
FARIA, Álvaro Alves de. Lindas mulheres mortas. São Paulo: Traço, 1990.

sexta-feira, 15 de março de 2013

Psicologia do Desenvolvimento( Lista de Romances)

Lista de Romances para avaliação final



A Paixão de A.
(Alessandro Baricco)

Turim, anos 1970. Quatro adolescentes de dezesseis, dezessete anos, levam uma vida de classe média, pacata e sem sobressaltos. Todos são católicos, tocam numa banda de paróquia e fazem trabalho voluntário em um hospital da cidade. É quando aparece Andre, jovem rica, fascinante, desinibida, que reduz a pó a estabilidade do grupo de amigos.

Seduzidos pela beleza da garota e pelo mundo completamente diferente no qual ela se move, os quatro amigos aos poucos vão se abrindo para experiências antes impensáveis, o que colocará em xeque suas convicções mais arraigadas, a começar pela fé. Tudo se precipita de modo muito veloz e, a partir de certo ponto, cada um deles seguirá seu rumo - um caminho necessariamente solitário e doloroso, mas t
também cheio de prazer.

A história é narrada por um dos rapazes, protagonista anônimo que registra o desmantelamento da infância quase edênica e a passagem para a vida adulta, feita de incertezas e sofrimento. A descoberta da sexualidade vem acompanhada do mergulho nas drogas, na violência, no suicídio, e a antiga imobilidade cede ao movimento da angústia.

Trecho do Romance:
http://www.companhiadasletras.com.br/trechos/12957.pdf





Clarissa 
(Érico Veríssimo)



Clarissa vem de uma cidadezinha do interior para estudar na capital, Porto Alegre, onde mora na pensão de tia Eufrasina. Com os olhos voltados para o futuro, Clarissa é o contraponto de Amaro, outro morador da pensão, músico malsucedido preso a sonhos passados que o presente recusa-se a concretizar. 

Através do olhar de uma adolescente alegre e otimista, Erico Verissimo revela não só a realidade de uma pensão pequeno-burguesa, mas também a situação do Brasil e do mundo na década de 30, com todo seu deslumbramento e iniqüidade.


Romance inteiro em pdf:

http://www.scribd.com/doc/3102072/livrosparatodos-net-Erico-Verissimo-Clarissa-doc



Musica ao Longe
(Érico Veríssimo)



Os Albuquerques orgulham-se de terem recepcionado o imperador D. Pedro II numa suposta visita do monarca ao município; de terem sido donos da maior estância das redondezas e de terem servido como benfeitores da população. Mas na década de 30, atolados em dívidas, lutam para não perder o último casarão familiar.

Toda a cena é descrita por meio do olhar a um só tempo inquisidor e ingênuo da professora Clarissa, personagem que surgiu dois anos antes em romance de mesmo nome. A jovem não compreende o primo Vasco, um tipo rebelde que vive às turras com a família. E não percebe que o primo representa o amor ainda informe, que, segundo um poeta que ela aprecia, "tem o encanto fugidio e misterioso de uma música ao longe"...

Escrito em apenas vinte dias para concorrer ao Prêmio Machado de Assis, que ganhou junto com o romance Os ratos, de Dyonelio Machado, Marafa, de Marques Rebello, e Totônio Pacheco, de João Alphonsus, Música ao longe é uma prova não só do amplo talento de prosador de Erico Verissimo, como de sua atenção para as transformações por que passava o país.


Trecho do Romance:
http://www.companhiadasletras.com.br/trecho.php?codigo=12041


O homem Proibido 
(Nelson Rodrigues )


Neste livro, depois do suicídio da mãe e do abandono do pai, Joyce ganha uma nova casa e uma nova irmã. Mas o aparecimento de um charmoso médico estremece o relacionamento entre as duas moças. Essa obra foi escrita originalmente sob o pseudônimo de Suzana Flag, em 1951.


Romance completo no site:
http://translate.googleusercontent.com/translate_c?anno=2&depth=2&rurl=translate.google.com&sl=en&tl=pt&twu=1&u=http://www.misteriosdocotidiano.com.br/materias/download-do-livro-free-homem-proibido-o-nelson-rodrigues-ebook-online-pdf/&usg=ALkJrhgECmiTxdiGQSqid8NiOGgZnvRHPQ


Novela do Romance:
http://www.youtube.com/watch?v=5H_EAWUVcm8


Diva
(Jose de Alencar)

Diva é um romance urbano. Nele a heroína Emília, bela e rica, filha mimada de um capitalista carioca fica dividida e confusa frente ao amor de Augusto. Diva narra a história de Emília Duarte. O narrador, em primeira pessoa, é o homem que a ama, Augusto Amaral. Emília é uma adolescente muito retraída e tem aversão a que estranhos a toquem. Uma enfermidade a leva quase à morte. É chamado um médico recém-formado, colega de seu irmão, Dr. Augusto Amaral. Augusto dedica-se a Emília, mas ela se recusa a ser tocada e não o deixa sequer entrar no quarto. Apesar de tudo, Augusto consegue salvar a moça, o que faz com que ela o odeie, temendo que ele exija sua amizade como recompensa. Seguem-se várias discussões e brigas entre os dois, onde se revela o caráter de Emília, extremamente instável e voluntariosa. Os dois ficam assim presos em jogos de amor, amizade e desprezo que são por vezes infantis e outras humilhantes. Augusto se declara, Emília diz não o amar.
 Augusto acaba apaixonando-se por Emília, mas as atitudes dela são tão incertas que acabam por levá-lo ao desespero. Ao final, tudo se reequilibra e termina bem, quando Emília revela seu amor pelo médico. Eles vivem felizes para sempr

Romance completo:
http://www3.universia.com.br/conteudo/livros/Diva.pdf


100 escovadas antes de dormir
(Melissa Panarello)

Para quem se interessar por uma leitura mais pesada e uma adolescência bem complicada é um bom romance tem o filme com o mesmo nome do romance. 

Para Melissa, adolescente de 15 anos da pequena cidade italiana de Catânia, na
Sicília, tudo começa com a sua primeira vez. É nesse momento que ela entende, ou tem
a ilusão de entender, que os homens não estão interessados na essência de uma mulher,
nem são capazes de amar prescindindo da carne. Assim, Melissa passa a oferecer o
próprio corpo a quem quer que o peça, entregando-se esperançosa de que alguém, ao
olhá-la nos olhos, perceba sua sede de amor.

A protagonista do livro se entrega aos excessos carnais como se desejasse,
através deles, transcender o corpo. Orgias regadas a drogas, sadomasoquismo,
homossexualismo: nada detém sua curiosidade, mas seu prazer é tingido de repulsa e
insegurança. Antes de dormir, Melissa escova cem vezes os longos cabelos, num ritual
de purificação quase infantil que constitui, para o leitor, o único lembrete de que se
trata, afinal, de uma menina.

Romance completo:
http://www.suaaltezaogato.com.br/arq/Estante%20de%20Madeira/Melissa_Panarello_(100_Escovadas_Antes_de_Ir_para_a_Cama).pdf





Psicologia do desenvolvimento II (aula II- conceito histórico da adolescência)


Nota de Aula:
Adolescência uma construção sócio-histórica.


Adolescência, adolescenciaadolescence.
     Termos semelhante em varias línguas que denominam uma mesma significação. Contudo, ao longo dos séculos, observamos uma disparidade acerca do conceito como Levi e  Schmitt afirmam. 
Existe uma diferença semântica entre idade média e modernidade.
“Se o termo adolescência ocorre tanto em textos atuais, quanto em antigos, seu sentido já não é o mesmo.” (MATHEUS,2007. p23)
Origem da palavra:
Latim: adolescere.
significa crescer ou desenvolver.
Roma:
Poder em Roma sustentava-se  na autoridade patriarcal, tinha o pátrio poder sobres os integrantes da família.
Grécia:
Não havia um sinônimo pro termo em latim.  Temos o efebo.
Jovem em formação, cultuado pela beleza e valor futuro social.
Amado e Amante
Idade Média :
Duas culturas sagrado e profano:
Infância (primavera) infantia nascimento ate 7 anos, pueritia  dos 7 até os 14, adulescentia dos14 aos 21 e Juventus dos 21 aos 35 anos ( verão). Virilitas dos 35 aos 55  (outono) e senectus acima dos 55 (inverno).
Século XIX e XX:
Adolescência como crise.
Zeca Baleiro:
       "Não dá pé
Não tem pé, nem cabeça
Não tem ninguém que mereça
Não tem coração que esqueça
Não tem jeito mesmo
Não tem dó no peito
Não tem nem talvez ter feito
O que você me fez desapareça
Cresça e desapareça...
Não tem dó no peito
Não tem jeito
Não tem ninguém que mereça
Não tem coração que esqueça
Não tem pé, não tem cabeça
Não dá pé, não é direito
Não foi nada
Eu não fiz nada disso
E você fez
Um Bicho de Sete Cabeças..."

quarta-feira, 6 de março de 2013

Psicologia do desenvolvimento II ( Aula I- Teorias)



Nota de Aula:


¢Sistema coerente de conceitos logicamente co-relacionados que organizam uma pratica.

¢Teorias do Desenvolvimento humano, organizam as transformações do ser humano.
Três aspecto estudados nas teorias:


¢A importância do ambiente ou da hereditariedade.
¢Sujeito: Ativo- Passivo.
¢Desenvolvimento continuo ou em etapas. 

Mecanicismo:

¢Sujeito passivo.
¢Estímulos determina o homem.

Organismica:

¢Sujeito Ativo ( domina seu crescimento, controla estímulos)
¢Motivação interna em busca do crescimento.
¢Ambiente não causa desenvolvimento, mas pode agilizar.

Perspectiva psicanalítica: ( Freud)


¢Perturbações emocionais vem de traumas não exprimidos.
¢O desenvolvimento é psicosexual. Aqui se trata da maturação da personalidade.
¢Sujeito constantemente em relação com o Outro.
¢Sujeito ativo não é pré-determinado, porém o meio também é importante.
¢Fase de estruturação da personalidade e formação do EU : oral, anal, fálica. 

Erik Erikson:


¢Desenvolvimento psicossocial. Maior importância aos fatores sociais na relação que estrutura o Eu.
¢Discípulo de Freud.
¢Organiza essa estruturação ao longo da vida do ser humano em fases de crises. São oito estágios.
¢Crise---> momento de conflite entre dois pólos ambivalentes. Um positivo outro negativo.   

Perspectiva da Aprendizagem:

¢Comportamento observável.
¢Desenvolvimento é produto da aprendizagem.
¢Aprendizagem é uma modificação do comportamento com uma experiência ou adaptação ao meio.

Behaviorismo:

¢ Fundador Watson. ( metodológico)
¢Comportamento clássico:
¢S -> R
¢Skinner inovador com o Radical.
¢Comportamento operante:
¢S->C->R
¢Reforços : aumenta a freqüência de um comportamento.
¢Positivo. ( conseqüência positiva)
¢Negativo. ( retirada de estimulo aversivo)
¢Punição e extinção: diminui a freqüência de um comportamento
¢Extinção: retirada da conseqüência reforçadora.
¢Punição: apresenta um estimulo aversivo.

Sociocognitiva:

¢Fundador Bandura.
¢Outra perspectiva do comportamento. Existe o organismo.
¢Organismo ativo: cria e altera o ambiente.
¢Animal e homem diferentes.
  Aprende por imitação de modelos


Perspectiva humanista:

¢1950-60.
¢Maslow e Rogers.
¢Ser humano em constante transformação, livre e sem amarras, seja do meio ou de fantasmas inconscientes.
¢Homem vir-à-ser
¢Desenvolvimento ativo e continuo.
¢Importante valores, sentimentos e esperanças.


Perspectiva Cognitiva:

¢Preocupa-se com os processos de pensamentos e com o comportamento que reflete tais processos.
¢Principal ponto ao estágios cognitivos de Piaget.
¢A teoria construtivista vê o indivíduo como criador do seu próprio conhecimento, ao processar a informação obtida pela experiência.

Teoria dos Estágios Cognitivos de Jean Piaget:

¢Foco nos Processos mentais.
¢Seres ativos com seus impulsos internos atualizando seu esquema.
¢Desenvolvimento cognitivo como produto dos esforços das criança para atuar no mundo.
¢Método clínico: observação de crianças.

segunda-feira, 12 de novembro de 2012

Psicologia do Desenvolvimento( Peça de Nelson Rodrigues)

Nelson Rodrigues, um grande escritor brasileiro, escreveu uma peça intitulada Perdoa-me por me traíres, que é classificada como uma tragédia carioca, que retrata a história de uma adolescente de dezesseis anos de classe média.  Glorinha era criada dês de criança pelo Tio Raul, irmão de seu pai, e por sua esposa Tia Odete, porém essa era uma louca que apenas murmurava algumas palavras. A moça acreditava que sua mãe tinha se suicidado, ela admirava o ato da mãe que partir enquanto era bela e cheia de vida em seu esplendor, com a morte de sua mãe seu pai enlouquecera e passara a viver em uma casa de repouso.  Sua melhor amiga era Nair, moça bonita, muito inteligente, namoradeira e moderna para a época.  Essa vivia cabulando a aula para ganhar dinheiro em um bordel de Madame Luba, que tinha uma casa só de adolescentes para políticos e pessoas ricas da sociedade carioca. 
Assim inicia a peça com Nair chamando Glorinha para conhecer Madame Luba, que o negocio é batata, que ela vai gostar. Glorinha se arruma toda e se diz muito curiosa e interessada em ir, porém no meio do caminho entra em pânico ao lembrar do Tio, ela diz que o tio nunca permitiria, que tinha de ir para casa, que o Tio só a deixa ir de casa para o colégio e nada mais. Que ela tem muito medo do tio, e se ele descobre, ela a matava. Nair diz que isso é bobagem que ninguém irá saber, a arrastando a casa da Madame Luba. Glorinha titubeia a aceitar a proposta de Madame, Nair a convence dizendo que aquele medo todo dela era mentirá, que no fundo ela queria:
Nair- Que máscara é essa?
Glorinha- Por quer Máscara?
Nair- Máscara sim senhora! (…) E aquela farra que nós fizemos, nós duas.
Glorinha- Sei lá de Farra!
Nair- No carnaval, esse que passou! Madame, fomos com uma turma ao apartamento de um cara. E lá, sabe como é: bebemos, pintamos o caneco. A Glorinha estava com uma fantasia sem alça em cima da pele! Veio um engraçadinho e , pela costas, te puxou o fecho ecler até embaixo. Ficou pelada, Madame.
Glorinha- Eu estava de pileque  Madame! Tanto que nem me lembrava. (…) Olha até agora não passei do beijo.  (RODRIGUES, 2003,p.786)

           
Algo interessante de retratar-se nessa peça são as vestimentas de Glorinha ,sempre de menina: com vestidos, sais rodadas. Ao início observasse o seu pudor e temor quanto a sua própria sexualidade, que aflora intensamente e ela nega sua existência, dessas pulsões que a assalta de rompante, mas Nair lhe apresenta esse desejo na sua cara, ela nega dizendo ser mentira da amiga. Nesse Tio de Glorinha encontramos todo um investimento libidinal, próprio da adolescência que re-edita esse complexo de Édipo, frente a essa figura paterna, tão desejada e repugnada pela culpa, devido a lei.
Logo em seguida chega o deputado, vizinho de Glorinha que deseja ter com ela, Madame Luba ameaça chamar o Tio da jovem se ela não encontra o deputado explicando que não vai ocorrer nada, e ela ganhará muito dinheiro. O deputado é DR. Jubileu um homem já idoso.  Ao fica sozinha com o deputado Glorinha entra em pânico, com aquele homem a agarrando, ela pede que ele a solte, ela a agarra com mais força e começa a berrar : “As duas modalidades de eletrização que podemos observar nos corpos correspondem às duas espécies de carga elétrica encontradas no átomo. (mudando de tom, num apelo soluçante) Não se mexa: fique assim!”(RODRIGUES,2003.p.789) Glorinha repele o deputado, em gritos de ira diz que quer ir embora, que ele é louco e sujo. Ele explica que o que ele fala é pura física que ela basta ficar quietinha enquanto ele fala. Ela não aceita. Então ele chama o funcionário de Madame Luba, Pola Negri para segurar a menina enquanto ele realiza suas fantasias sexuais. Ela fica totalmente presa enquanto, o Pola fica a repetir que ela adora o deputado, o deputado continua a repetir suas lamurias da física, até : “ Finalmente, o DR. Jubileu cai de joelhos, porque alcança o máximo da tensão. Assim de joelhos, mergulha o rosto nas duas mãos e tem um soluço interminável, grosso como um mugido.” (RODRIGUES,2003.p799). Nesse momento Glorinha é liberta que cai sobre uma cadeira em prantos.
Nessa cena é bem claro, esse encontro com o real do sexo, que é na verdade um desencontro traumático. Esse real paralisa Glorinha, essa se ver sem reação, tomada pela angustia, ela se debate contra essa cena, do buraco ao qual ela se ver frente à frente e não consegue simbolizar, representar. Esse real que se configura na imagem do deputado, tomado pelos efeitos do real no corpo da velhice, que está a se decompor, perdendo sua virilidade e vigor.
            Depois de Glorinha e Nair sair da casa de Madame Luba, Glorinha afirma que não ocorreu nada demais, mas que não sabe tem medo, muito medo, e sente o mesmo quando ta namorando, sente um terror dentro dela. Nair diz que ela tem medo é do tio, Glorinha afirma que sim que teme o tio, e que pensa nele em tudo que ela faz. Nair conta que está grávida, que tem de ir a um médico para tirar a criança, pede que a amiga a acompanhe. Glorinha diz que não pode por causa do tio, mas termina indo. Nair diz que tem medo de morrer sozinha, e que antes de morrer quer ser beijada, pedindo que Glorinha der esse beijo se ela for morrer. Durante o procedimento médico Nair perde muito sangue, diz estar fraca, grita que vai morre, Glorinha começa a chorar, e diz que tem de ir embora, o médico manda que ela vá embora, Nair suplica que ela fique e lhe beije. Glorinha grita qaunto sangue, num berro diz não me falem em morte e vai embora.
            Logo em seguida encontramos essa aproximação da sexualidade com a morte, dessa amiga que a convida a partilha esse prazer do além do principio do prazer, de se viabilizar por outra via que não a do desejo, mas desse gozo advindo da pulsão de morte. Porém frente a esse real novamente Glorinha foge dele, tenta escapar a todo custo. Buscando no Tio, essa lei que impossibilita esse gozo, colocando uma barra no campo do Outro.
            Ao final da peça, o Tio Raul descobre do aborto da amiga de Glorinha, e que essa tinha ido se encontrar com um Deputado em um bordel. Em meio a essa discussão ardente entre o tio e a sobrinha, esse diz que matou a mãe dela com veneno, e que todos pensam que ela se matou, mas é mentirá, ela a tinha matado pois ela tinha um amante, o traindo, e mesmo com um amante o rejeito, logo ele que a amava.  Ele diz que criou Glorinha para ser dele, mas que agora ela era imunda e devia morrer como a mãe. Ele pergunta se ela o odeio se tem nojo dele, a ameaçando para dizer que sim.
Tio Raul – Tu me odeias?
Glorinha – Não
Tio Raul – Não, odeias o assassino da tua mãe?
Glorinha – Não.
Tio Raul – Mentirosa.
Glorinha – Pois odeio, pronto odeio. (RODRIGUES,2003.p.819)

            Depois ela relata o ocorrido de Madame Luba, que tinha sentido nojo que ele era gagá. O tio diz que ela mente, então ela diz que tinha gostado que ele era novo, que parecia com o tio, era bonito e forte como ele, e falou em voz baixa que tinha pensado tanto no tio durante o incidente. Ao final o tio diz está satisfeito e pergunta a ela se ela não deseja dizer mais nada. Ela disse que só falou o que o tio mandou, mas a verdade é que o deputado era velho e tinha nojo dele, mas do tio ela gostava e não tinha nojo. Ela pede que antes de morrer que o tio a beije, ele beija sua testa ela pede que beije sua boca. Eles se beijam fortemente. O tio pergunta se o beijo foi só por medo para que ele não a mete. Porém Glorinha afirma que o ama, só a ele e sempre e que morrer com ele. Glorinha faz o tio tomar o veneno e faz de conta que tomou também. De repente ela passa a ver-lo como um velho, parecia com o deputado, ela tem nojo. Ela termina a peça correndo para sair da casa.
            Por meio desses diálogos podemos observar a questão da ambivalência do adolescente, frente a esse pai amado e odiado, do retorno do Édipo.  Porém agora o corpo biologicamente pode atuar o desejo edipiano, contudo devido ao recalque esse não se realiza, ocorrendo um deslocamento desse objeto de amor. Assim Glorinha ao seu modo efetua essa castração e resolução do complexo de Édipo, mesmo que essa tenha sido em uma passagem ao ato de matar esse pai.